terça-feira, 13 de março de 2012

Dama da Noite

Essa seria mais uma noite dentro dos padrões da normalidade ocidental. Seria, como dito. Seria se não fosse o incrível acaso que sempre insiste em fazer uma entrada triunfal a lá Priscila, a Rainha do Deserto. Com direito a ônibus de alumínio em cenário de Mad Max e afins. O acaso, aquele velho de guerra de quem se arrisca pelas noites e que, vez ou outra, salta na nossa cara, gritando e esfregando sua bunda enorme. Ele, filho do produto entre o nada e o sei lá o que. O acaso.

Algumas horas atrás, enquanto amaldiçoava minha moto - a "Dama da Noite", como a chamo - por mais uma vez me deixar na mão no meio da rua, observava a noite, fumando e esperando por uma salvação impossivel. Talvez um amigo que estivesse passando por aquelas bandas. Ou um dono de guincho com bom coração e dinheiro de sobra. Ou ainda, nos meus sonhos mais loucos, uma ruiva tatuada no busto, com uma metralhadora na mão esquerda e uma garrafa de Jackie Daniels na mão direita. A destruidora de casamentos num 4x4 envenenado.

Óbviamente, nenhum desses apareceu. Me perdia nessas hipóteses noite adentro. E me divertia com isso. Olhava ali pros velhos no buteco, para os mendigos girando e girando, para as motos correndo, as crianças gritando... uma maravilha dançante nas ruas do centro da cidade. Uma ode grotesca em homenagem a quase vida. Comecei a rir.

Quando comecei a rir, reparei uma garota surgindo ao meu lado. Ela também ria. Tinha óculos de plástico branco e uma saia xadrez. Bem do tipo que odeio. Não a roupa, mas a pessoa. Era bem o perfil que odiava. Feliz, sem motivos, descolada, sem razões. Quando olhei nos olhos dela, meu sorriso desapareceu. Os mendigos estavam caídos no chão e o boteco, fechado. Os gritos pararam. Só a risada ecoava. Ela se sentou ao meu lado. Perguntou porque eu tava rindo. Falei que não importava. Ela insistiu. Me levantei e tentei fazer a moto pegar. Acho que ela entendeu. Fechou a cara e se levantou.

Mas ai que entra o incrível acaso. Ao invés de me livrar da pirralha de óculos plásticos, ela arregaçou a camisa - igualmente xadrez - e se sentou ao lado da moto. Arregalei os olhos e a empurrei, num "o que diabos você pensa que tá fazendo, garota?" que ela transformou numa risada e um "que se foda". Achei interessante. Garota esperta.

Ela então começou a mexer nos cabos da bateria, e fuçava e chafurdava naquele emaranhado de formigas e graxa. Alguns estalos, faíscas e gritinhos saiam aqui e ali. Eu ria e olhava toda a cena como a mais insólita das possibilidades. Ou aquela mocoronga estava sabotando minha moto, numa espécie de complô contra o James Bond, ou ela realmente sabia o que estava fazendo. Não sou nenhum agente secreto, mas... nunca se sabe. Acendi mais um e fui até o outro lado da rua, numa distribuidora. Comprei duas latas e dei uma a ela. Ela não bebia. Fiquei chocado.

Perguntei o nome dela. Se chamava Lúcia. Menti meu nome pra ela. Ela disse que eu estava mentindo. Confirmei. Ela riu e continuou fuçando. A moto começava a grunir. Eu grunia junto, de impaciencia, e virava a outra lata. Quente. As crianças voltaram a gritar. O boteco reabriu. E os mendigos voltavam a girar. Pareciam dervixes do oriente médio. A moto então reviveu, numa reencarnação "frankensteinica" assustadora. A garota caiu para trás, com um baita choque. Tomou a cerveja da minha mão e deu um gole. Falei meu nome verdadeiro. Ela levantou a saia e me mostrou as pernas. Agradeci. Ela sorriu e foi embora. Galopei a Dama da Noite no campo listrado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Faces V - Aquilo Que Não Se Alcança


por Bruno de Abreu Mendonça, Spike - 2012
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Mirabolantes mirabolações rostativas. E neologismos adoidados.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Faces IV - Jackie


por Bruno de Abreu Mendonça, Spike - 2012
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Mais um rosto, em mais um estilo diferente. Pra quem sempre quis saber como era a Jackie... mais ou menos. :D

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POST DUPLO! >> Faces II e III


por Bruno de Abreu Mendonça, Spike - 2012
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Oeoe! Como fiquei bastante tempo sem postar por pura... er... "falta de vergonha na cara", resolvi postar duas ilustras juntas da série de faces. Essa ai de cima, "Guerreira", foi feita com caneta esferográfica comum. Coisa rápida.


por Bruno de Abreu Mendonça, Spike - 2012
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Essa outra, "Quem Olha", foi feita com lapiseira 0.3 e 0.5. Demorou um pouco mais, mas também foi bem rápido. Por volta de 10 minutos, imagino. A versão colorida foi feita em tom de experimentação.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Faces I - Catalina


por Bruno de Abreu Mendonça, Spike - 2012
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Entrei numa onda de desenhar rostos... Esse ai é um de vários rabiscos rapidos que foram feitos esses dias.
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