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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Memórias

É algo complicado. Tentar interpretar, sem ter embasamento algum, as coisas que se passam aqui. Que sinto aqui. E que sei, no fundo, são muito reais. Mas não sei como expressar, de forma falada, escrita, essa onda... sim, uma onda. É algo grande, mas ao mesmo tempo fugaz. Foi. É algo que se promete no passado e que com os olhos do futuro você sabe que corrompeu sua própria sinceridade, no mais alto grau. Não tá mais ali. É como olhar para dentro de um copo e vê-lo vazio, mesmo estando "na boca", transbordando.



Descrever é um fato rotineiro para mim. Nunca tive problemas com isso. Mas não consigo descrever para ninguém as coisas que se passam aqui. Nem nos meus mais sinceros momentos de amizade. Ou abertura. O que é meu dificilmente vai ser visto, ou compreendido, aqui ou ali. Mesmo na cabeça do um compreensivo ou na voz lasciva de outro mais adiantado. A história, o todo... já nem se chama mais todo. São olhares vazios, gargalhadas perdidas, sorrisos piedosos, talvez. O toque que faria a completude se foi. A tanto tempo. Algo tão longe e de difícil visualização. A areia cobre, ranhura por ranhura, poro a poro, o passado que prometia a alegria que não existe hoje, que se reserva a falsidade maldosa da esperança amarga e mentirosa, da vida dolorosa e ruidosamente solitária. Mas a solidão, por si só, não é o motivo do sabor da bile que sobe pela garganta e amarga a boa. A dor está mais perdida, no saber que a solidão não se encontra no corpo, mas na alma. Alguns diriam, no peito. A dor de olhar ao lado e saber que aqueles olhos que antes te olhavam com afeto, hoje te olham com os mesmos olhos de cães observando a rua. Ou pior. O tempo, a memória, passou.


Lembro do beijo roubado, como sem querer. Dois, assustados, lado a lado, sem saber bem o que fazer em seguida, olhando para o alto. Lembro dos sorrisos, primeiramente tímidos. Dos olhares. Dos beijos que se seguiram. Do cabelo longo e do cabelo longo. Dos outros olhares, esses mais concretos. Algumas risadas e  a chance da plenitude que nunca aconteceu. Se perdeu, por mais que continue procurando.  Procuro o que não mais quer ser achado. Para nunca mais se achar.  

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